A nova geração do Passat. A riqueza está dentro
O mais recente modelo do VW Passat é híbrido plug-in. Isto seria dizer pouco do fabuloso Passat 1.5 TSI PHEV e onde por fora parece ter ficado tudo na mesma, mas por dentro, operou-se uma revolução tecnológica e de design. Antes de mais este é um modelo par ao mercado europeu que quer stations grandes familiares e com soluções de motorização eletrificadas. O Passat tem tudo isso com um motor a combustão alimentado a gasolina e um motor elétrico com uma bateria de 19,7 kWh líquidos e que permite o carregamento lento de 11 kW ou rápido até 50 kW. A potência combinada na versão testada é de 204 cv, e que se revelou excelente em termos de comportamento. Mas, quem quiser mais “virilidade” tem a versão de 272 cv.
E, enquanto o motor TSI lhe dá o nervosismo necessário para acelerações rápidas e economia nos consumos, a motorização elétrica permite fazer mais de 100 km de autonomia sem ruído, podendo em cidade aumentar substancialmente essa capacidade. Enfim, uma solução mista para grandes viagens em família ou a solução para a cidade turbulenta e para quem tem família com crianças, animais e com necessidade de muito espaço para arrumação. E, afinal o consumo nem é tão pesado como se poderia esperar pois numa condução puramente elétrica o consumo oscila entre os 15 kWh e os 16 kWh, enquanto na combinação de motorizações e para os primeiros 100 km o consumo é irrisório, da ordem dos 0,4 l/100 km. Com tração dianteira e um binário de 350 Nm para a versão testada, o preço não é o ponto forte, um pouco mais de 58 mil euros com alguns (poucos) extras a pesar.
Vamos aos detalhes. No exterior não há grandes alterações, sendo de salientar as óticas com preponderância da iluminação LED, a par da aerodinâmica, com linhas angulares e arredondadas, permitindo reduzir o arrasto, algo que é relevante quando se transporta uma bateria pesada. No interior a conversa é diferente. Com bancos reclináveis e de massagem as viagens tornam-se bem mais confortáveis. O interior é acolhedor, tanto à frente como atrás, e lembramos que estamos perante uma carrinha com quase cinco metros de comprimento. Aliás, se o ruído para condutor e passageiro da frente é quase nulo, os passageiros do banco traseiro parecem ouvir algum tipo de eco com as suas vozes, tendo em conta o formato interior e o facto de não haver uma divisória entre os assentos e a bagageira. A nível de tecnologia há uma nova disposição e ecrãs e com o sistema de infoentretenimento mais recente, com conetividade total e serviços da Apple CarPlay e Android Auto. Há botões físicos que foram reintroduzidos com a VW a responder a exigências dos consumidores que se queixavam do exagero dos touch screen. O assistente de estacionamento park assist vem de série e oferece a possibilidade de estacionamento automático, assim como tem a memória para os trajetos de estacionamento automático. O veículo pode ainda sair do lugar de estacionamento de forma autónoma, via uma app no smartphone.
A conclusão é de que se está perante uma carrinha que continuará a imagem da VW como veículo de qualidade e de massas, capaz de se confrontar com a melhor concorrência no segmento. Esta será uma station para resistir e manter a resiliência das marcas europeias no segmento dos veículos eletrificados.
Por: Vítor Norinha