Perdas de Água Equivalem a Mais de Oito Piscinas Olímpicas por Hora em 2024

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A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) apresentou o Volume 1 do Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP 2025), referente aos dados de 2024. O documento sublinha que, embora existam progressos na fiabilidade da informação e na adesão aos serviços, o setor enfrenta desafios críticos na eficiência hídrica, na circularidade e na sustentabilidade económica.

O panorama atual do setor revela uma estrutura fragmentada, composta por 352 entidades gestoras. O modelo de gestão direta pelas entidades titulares é predominante (72%), sendo que mais de 35% destas entidades servem menos de 10 mil alojamentos. Apesar de se registar uma tendência de redução do número de entidades por via da agregação de sistemas, a vertente em baixa (serviço ao utilizador final) apresenta ainda baixos níveis de gestão empresarial, especialmente nos resíduos urbanos, onde este modelo abrange apenas 18% da população.

Infraestruturas e Perdas de Água

Um dos pontos mais críticos apontados pela ERSAR é o estado das infraestruturas. A taxa de reabilitação de condutas de água situa-se nos 0,5% ao ano, valor significativamente abaixo dos 1,5% recomendados. Em 2024, as perdas reais de água atingiram cerca de 187,3 milhões de metros cúbicos, o que corresponde à perda de 8,7 piscinas olímpicas por cada hora.

Vera Eiró, presidente do Conselho de Administração da ERSAR, destaca que a gestão eficiente é impossível sem um cadastro completo das redes. Segundo estimativas da reguladora, a eliminação de 80% do volume de perdas reais e de afluências indevidas, conjugada com a reutilização de 10% de água residual tratada, poderia gerar uma poupança potencial de 158 milhões de euros anuais.

Gestão de Resíduos e Circularidade

No setor dos resíduos urbanos, a acessibilidade física à recolha seletiva permanece baixa, com uma cobertura de 61%. A deposição em aterro continua a ser o destino final de 55% dos resíduos, valor que se encontra distante das metas comunitárias. A taxa de reciclagem fixou-se nos 32%, melhorando ligeiramente, mas ainda aquém do objetivo de 55% definido no PERSU 2030.

O relatório menciona ainda a reduzida implementação de tarifários do tipo PAYT (pay as you throw), assentes no princípio do poluidor-pagador. Atualmente, apenas 21 entidades gestoras disponibilizam estes sistemas, embora devam ser uma realidade em todo o país até 2030. Destacam-se com maiores avanços nesta área as câmaras municipais de Guimarães, Ourique e Moura, além da Maiambiente e dos Serviços Municipalizados de Viana do Castelo.

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