GPL Auto é a solução imediata para descarbonizar
Há mais um debate técnico que merece análise nas páginas 22 a 24 da ANECRA Revista 396, desta vez focado no GPL Auto e no BioAutogás. Num brunch com jornalistas em Lisboa, o CEO da GASIB, Filipe Henriques, pôs o dedo na ferida: o GPL tornou-se o grande esquecido da transição energética. No meio da corrida à eletrificação total, o mercado parece ignorar uma tecnologia madura, barata e que está pronta a usar agora.
A questão ganha contornos sérios nos transportes pesados de mercadorias. Toda a gente sabe que eletrificar um camião de longo curso é um quebra-cabeças financeiro e logístico devido ao peso das baterias e da falta de postos de carregamento. É aqui que entra a alternativa: a GASIB aliou-se à startup espanhola BeGas para criar motores pesados homologados a GPL. Os resultados práticos mostram menos 20% de emissões de CO₂ face ao gasóleo, metade do ruído e uma redução drástica em NOx e partículas. E o melhor é que isto não obriga as empresas de transporte a mudarem radicalmente as suas operações logísticas.
Do outro lado da fronteira, o cenário é completamente diferente. Em Espanha, a previsão para 2025 aponta para 60 mil matrículas de carros a GPL. O modelo mais vendido por lá este ano é o Dacia Sandero GPL, que chegou a bater o diesel em vários meses de vendas. Por cá, o mercado é mais fragmentado e ainda esbarra no preconceito. Filipe Henriques não escondeu que o consumidor português ainda olha para o GPL com desconfiança, lembrando o estigma antigo de quando as pessoas adaptavam garrafas de gás domésticas na mala do carro. Hoje a tecnologia mudou, é segura e já usa 13% de biopropano renovável na mistura. Se o mercado quer soluções rápidas para descarbonizar, talvez seja altura de olhar para o que já está disponível nos postos de abastecimento.
